sexta-feira, 22 de abril de 2016

Reflexões de um suposto coxinha (reproduzindo)

4/4/16

Me senti representada em cada palavra desse texto, que recebi pelo Whatsapp como sendo de autoria de Artur Xexeo. Vale a pena a leitura, especialmente para quem, como eu, já acreditou no sonho (ilusão!) petista.

"Reflexões de um suposto coxinha

Ando sensível. Acho que já contei isso aqui. Choro à toa. Antes era com comercial de margarina, cenas de novela, trechos do filme. Agora, é lendo jornal. Cada notícia da Lava-Jato, de início, me enche de indignação. Em seguida, fico triste. É aí que choro. Ando tendo vontade de chorar também em discussões com amigos. Gente que tempos atrás dividia comigo a mesma ideologia hoje se comporta como inimiga. Ou sou eu o inimigo? De qualquer maneira, num mundo que derrubava muros, de repente, um muro foi erguido para me separar desses amigos. Tento explicar como vejo o trabalho de Sergio Moro e nunca consigo terminar o raciocínio. No meio da discussão, me emociono, fico com vontade de chorar e prefiro interromper o pensamento. “Coxinha”, me xingam nas redes sociais. Bem, se o mundo está obrigatoriamente dividido entre coxinhas e petralhas, não tenho como fugir: sou coxinha!

Leio na internet que “coxinha” é uma gíria paulista cujo significado se aproxima muito do ultrapassado “mauricinho”. Mas, desde a reeleição de Dilma, esse conceito se ampliou. Serviu para definir de forma pejorativa os eleitores de Aécio Neves. Seriam todos arrumadinhos, malhadinhos, riquinhos e votavam em seu modelo. Isso não tem nada a ver comigo. Mas, nesta briga de agora, estou do lado que é contra Lula, logo sou contra os petralhas, logo sou coxinha.

Gostaria de falar em nome da democracia. Mas não posso. A democracia agora é direito exclusivo dos meus amigos que estão do outro lado do muro. Só eles podem falar em nome dela. Então, como coxinha assumido, deixo uma pergunta. Vocês acharam muito normal o ex-presidente Lula incentivar os sindicalistas para os quais discursou esta semana a irem mostrar ao juiz Sergio Moro o mal que a Operação Lava-Jato faz à economia brasileira? Vocês acreditam sinceramente nisso? O que a Operação Lava-Jato faz? Caça corruptos pelo país. Não importa se são pobres ou ricos. Não importa se são poderosos. Não era isso o que todos queríamos, quando estávamos todos do mesmo lado, quando ainda não havia um muro nos separando, e fomos às ruas pedir Diretas Já? Não era no que pensávamos quando voltamos às ruas para gritar Fora Collor? E, principalmente, não era nisso que acreditávamos quando votamos em Lula para presidente uma, duas, três, quatro, cinco vezes!!! Não era o Lula quem ia acabar com a corrupção? Ele deixou essa tarefa pro Sergio Moro porque quis.

Como, do lado de cá do muro, me decepcionei com o ex-líder operário, o lado de lá deu pra dizer que sou de direita. Se for verdade, está aí mais um motivo para eu estar com raiva de Lula. Foi ele quem me levou pra direita. Confesso que tenho dificuldades de discutir com qualquer petralha que não se irrita quando Lula diz se identificar com quem faz compras na Rua 25 de Março. Vem cá, já faz tempo que os ternos de Lula são feitos pelo estilista Ricardo Almeida. Será que Ricardo Almeida abriu uma lojinha na rua de comércio popular de São Paulo? Por mim, Lula pode se vestir com o estilista que quiser. Mas ele tem que admitir que o discurso da 25 de Março ficou fora do contexto. A gente não era contra discursos demagógicos? O que mudou?

Meus amigos petralhas dizem que é muito perigoso tornar Sergio Moro um herói. Que o Brasil não precisa de um salvador da pátria. Mas, vem cá, não foi como salvador da pátria que Lula foi convocado para voltar ao governo? Não é ele mesmo quem diz que é “a única pessoa” que pode incendiar este país? Não é ele mesmo quem diz que é a “única pessoa” que pode dar um jeito “nesses meninos” do Ministério Público? Será que o verdadeiro perigo não está do outro lado do muro? Não é lá que estão forjando um salvador da pátria?



Há muitas décadas ouço falar que as empreiteiras brasileiras participam de corrupção. Nunca foi provado. Agora, chegou um juiz do Paraná, que investigava as práticas de malfeito de um doleiro local, e, no desenrolar das investigações, botou na cadeia alguns dos homens mais poderosos do país. Enfim, apareceu alguém que levou a sério a tarefa de desvendar a corrupção que há muitos governos atrapalha o desenvolvimento do país. E, justo agora, quando a gente está chegando ao Brasil que sempre desejamos, Lula e seus soldados querem limites para a investigação. Pensando bem, rejeito a acusação de ser coxinha, rejeito ser enquadrado na direita, rejeito o xingamento de antidemocrata, só porque apoio o juiz Sergio Moro e a Operação Lava-Jato. Coxinha é o Lula que se veste com Ricardo Almeida e mantém uma adega de razoáveis proporções no sítio de Atibaia. E, para encerrar, roubo dos petralhas sua palavra de ordem: sinto muito, mas não vai ter golpe. Sergio Moro vai ficar."

Estou em construção


3/4/16

Linda e sábia mensagem do Papa Francisco. Vale ler com o coração e tentar incorporar como práticas cotidianas, independentemente da Fé que se professe (ou não...). Felicidade e Paz Interior são prováveis consequências...

"Durante a nossa vida causamos transtornos na
vida de muitas pessoas,
porque somos imperfeitos.

Nas esquinas da vida, pronunciamos palavras inadequadas,
falamos sem necessidade,
incomodamos.

Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente.
Mas agredimos.

Não respeitamos o
tempo do outro,
a história do outro.

Parece que o mundo gira
em torno dos nossos desejos
e o outro é apenas
um detalhe.

E, assim, vamos causando transtornos.

Esses tantos transtornos mostram que não estamos prontos, mas em construção.

Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai ganhando forma.

O outro também está em construção e também causa transtornos.

E, às vezes,
um tijolo cai e nos machuca.
Outras vezes,
é o cal ou o cimento que suja nosso rosto.
E quando não é um,
é outro.
E o tempo todo nós temos que nos limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem conosco
também têm de fazer.

Os erros dos outros,
os meus erros.
Os meus erros,
os erros dos outros.

Esta é uma conclusão essencial:
todas as pessoas erram.
A partir dessa conclusão, chegamos a uma necessidade
humana e cristã:
o perdão.

Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras.
É compreender que os
transtornos são muitas vezes involuntários.

Que os erros dos outros são
semelhantes aos meus erros e que,
como caminhantes de uma jornada,
é preciso olhar adiante.

Se nos preocupamos com
o que passou,
com a poeira,
com o tijolo caído,
o horizonte deixará de ser contemplado.
E será um desperdício.

O convite que faço é que você experimente a beleza
do perdão.
É um banho na alma!
Deixa leve!

Se eu errei,
se eu o magoei,
se eu o julguei mal,
desculpe-me por todos
esses transtornos…
Estou em construção!"

PAPA FRANCISCO

Nunca mais!


2/4/16

Nesse momento de ânimos tão acirrados no país, é bom a gente ter cuidado pra manter cada pingo no seu "i". Uma coisa é a gente desejar e pressionar pelo término Legal e Legítimo de um governo enredado até o pescoço no desvio de bilhões de reais dos cofres públicos (pra não falar de outros absurdos). Outra bem diferente é apoiar qualquer tipo de referência à Ditadura. 

Pelo que eu saiba, não existe registro, na História da Humanidade, de ditadura, seja de Direita, seja de Esquerda, que não tenha cerceado a Liberdade de Expressão, suprimido o Direito de Defesa das pessoas, ou torturado opositores (às vezes meramente suspeitos).
Não há nenhum benefício para a ordem social e política que mereça abrirmos mão de valores como a Liberdade, a Vida e o respeito à Integridade Física e Moral dos cidadãos.
E para que não reste dúvida a esse respeito, reproduzo trecho de depoimento de Frei Tito, à própria Justiça Militar:

"Na quarta feira, fui acordado às 8 horas, subi para a sala de interrogatórios, onde a equipe do capitão Homero me esperava.
Repetiram as mesmas perguntas do dia anterior. A cada resposta negativa, ou recebia cuteladas na cabeça, nos braços e no peito.
Neste ritmo prosseguiram até o início da noite, quando me serviram a primeira refeição naquelas 48 horas. (…)
Na quinta- feira, três policiais acordaram-me à mesma hora do dia anterior. De estômago vazio, fui para a sala de interrogatórios. Um capitão, cercado por uma equipe, voltou às mesmas perguntas.
Vai ter que falar, senão, só sai morto daqui”, gritou. Logo depois vi que isto não era apenas uma ameaça: era quase uma certeza.
Sentaram-me na “cadeira de dragão” (com chapas metálicas e fios), descarregaram choques nas mãos e na orelha esquerda. A cada descarga, eu estremecia todo, como se o organismo fosse decompor.
Da sessão de choques, passaram-me ao pau-de-arara. Mais choques, pauladas no peito e nas pernas cada vez que elas se curvavam para aliviar a dor.
Uma hora depois, com o corpo todo sangrando e todo ferido, desmaiei. Fui desamarrado e reanimado. Conduziram-me à outra sala, dizendo que passariam a carga elétrica para 230 volts a fim de que eu falasse “antes de morrer”. Não chegaram a fazê-lo.
Voltaram às perguntas, batiam em minhas mãos com palmatórias. As mãos ficaram roxas e inchadas, a ponto de não ser possível fechá-las. Novas pauladas. Era impossível saber qual parte do corpo doía mais: tudo parecia massacrado.
Mesmo que quisesse, não poderia responder às perguntas: o raciocínio não se ordenava mais. Restava apenas o desejo de perder novamente os sentidos.''
(depoimento copiado do blog de Sakamoto)

Frei Tito se enforcou poucos anos depois, durante exílio na França. Seu depoimento é um dos muitos que foram registrados. Lembro-me de que, quando universitária, fui incapaz de concluir a leitura de "Brasil: nunca mais". Não consegui suportar o horror dos relatos dos torturados. Não vai aqui nenhuma ofensa a quem, hoje, faz nossas Forças Armadas. Cada pessoa só pode ser responsabilizada por seus próprios atos. 
Confesso, inclusive, que sempre fui muito reticente com relação a processos de "caça às bruxas". Mas quando vejo manifestações como a de Bolsonaro, celebrando um regime que torturou e matou tantos de nossos compatriotas, sinto-me tentada a concordar com o argumento de que fomos muito ligeiros e talvez levianos ao virar, sem muita reflexão, essa página triste e dolorosa de nosso passado como nação. 
Só posso esperar que sejam muito poucos os que porventura venham a ecoar e apoiar tamanha insensatez....

Passar o Brasil a limpo é missão de todos nós



22/03/16

Torcendo pra que passado esse período de turbulência e confronto de visões e projetos tão diversos de Democracia e de país (e me refiro às muitas pessoas de Boa Fé que vejo dos dois lados), nós saibamos reencontrar a Alegria e a Esperança. Que possamos, sobretudo, voltar a nos dar as mãos.

Porém, torcendo mais que tudo pra que o Brasil seja passado a limpo. E isso significa também cada um de nós fazer sua reflexão, procurando responder, com honestidade: Qual é a minha responsabilidade no país que temos hoje? O que eu, como cidadão, preciso mudar no meu comportamento diário, para ajudar a construir o Brasil que desejo pra mim e pros que amo?

domingo, 17 de abril de 2016

Os Cinco Cegos e o Elefante

Minha Amiga, Querida! Saudades suas! De verdade.
E então. Existe uma lenda antiga na Índia -- que meu pai costumava me contar – e narra a história de cinco cegos de nascença aos quais se pediu que descrevessem um elefante. Como é um bicho muito grande, cada um deles se agarrou com uma parte diferente do paquiderme. Um assegurava que um elefante é um bicho fino e peludo na ponta (rabo). O outro teimava que um elefante é muuuito grosso, duro e pesado (perna). O terceiro cego bradava que elefante é um animal todo molengo e comprido (tromba)... e por aí vai. O fato é que toda Verdade tem vários lados, depende da perspectiva de que você olha. E a graça da Vida tá nessa pluralidade, né, não?
Não quero entrar em pendenga com você. Respeito sua posição e posso imaginar que você teve com a minha postagem sobre as manifestações desse domingo a mesma surpresa que eu tive quando vi a foto de Lula no seu perfil: Ôxe, como pode? (Minha Amiga tão inteligente!...) Mas minha surpresa durou apenas alguns segundos. Logo me lembrei da lenda do elefante e pensei com meus botões que cada um tem suas convicções, seus valores, sua visão de mundo. Serenei. Dessa serenidade, no entanto, brotou uma nostalgia. E eis que seu comentário me levou de volta aos nossos tempos de UFPE. Fiquei me lembrando da gente, na frente do CFCH, pintando aquela faixa comprida, pra passeata pelo Impeachment de Collor... e como um fio puxa outro, me lembrei -- com uma suave tristeza -- de como naquela época eu andava de broche de estrela do PT. Eu tinha também um Lulinha, de camisa vermelha e calça preta. Ficavam os dois, Lula e o PT, estampados no meu peito. Um orgulho danado. Foram quase 20 anos da minha vida, acreditando no sonho de que o PT mudaria o jeito de governar o Brasil, de fazer política. Lembrei da gente nas ruas, de cara pintada, esbravejando contra o Presidente Fernando Collor. Um Fiat Elba e uma reforma no jardim da Casa da Dinda eram os símbolos do governo corrupto que decidimos não tolerar mais. Ainda seguindo o fio da meada, recordei com nitidez dos oito anos em que esbravejei contra o “neoliberal” Governo Fernando Henrique, desejando que ele ardesse no fogo do Inferno por todo o mal que eu, naquela altura, achava que ele estava fazendo ao povo brasileiro.
Quando Lula foi eleito – finalmente!!! --, eu não estava no Brasil. Mas acompanhei, na casa de Zé, a apuração. Jamais esquecerei a alegria transbordante, intensa, o choro de emoção. Nunca havia desejado tanto estar no Brasil, como naquele dia. Afirmei que aquele era um dos dias mais felizes da minha vida e que se fosse possível, eu negociaria fácil, com Deus, alguns anos da minha existência por uns poucos minutos no Brasil, naquele dia, naquele momento! Todo o meu desejo se resumia em me misturar à multidão vermelha que tomava as ruas, e comemorar junto com a galera a realização de um dos meus maiores sonhos. Ironicamente, treze anos depois, neste 13 de março, eu teria dado tudo, novamente, para estar no Brasil, ocupando as ruas com meu grito de BASTA; declarando, uma vez mais, meu desejo de ter um Brasil ético e decente, o que, infelizmente, se mostrou incompatível com Lula e o PT. 
Querida Amiga, já passei por muitas fases no meu processo de desilusão e desencanto (que começou com o Mensalão). Já tive uma raiva imensa, que me corroía a alma e me tirava o equilíbrio. Até uns quatro anos atrás, eu não conseguia nem falar no assunto PT sem acabar em lágrimas. Não conseguia perdoar Lula por ele ter roubado não apenas meu sonho, mas minha ESPERANÇA de um governo diferente de tudo aquilo que as elites sacanas haviam feito com o país durante quinhentos anos. Felizmente, não há nada como o tempo para curar feridas e ensinar lições. 
Hoje, me libertei daquela raiva que me envenenava. E me dei conta de que nem tudo foi perda. Ganhei algo de muito precioso. Graças a Lula e ao PT conquistei uma lucidez cristalina sobre o Brasil, abandonei posições dogmáticas, fui capaz de rever paradigmas e pude, assim, reconstruir minha Esperança. Já não tenho uma Esperança cega e ingênua. Hoje, habita meu peito uma Esperança bem mais modesta e realista, e também mais determinada. 
Você olha para os milhões de pessoas que foram às ruas no domingo e enxerga apenas Bolsonaro, Malafaia e a ameaça de fascismo. Eu olho e vejo milhões de pessoas bem intencionadas, que foram às ruas para reclamar de volta o país que lhes pertence e foi sequestrado por criminosos de colarinho branco, infelizmente muitos deles filiados ao PT, ainda que não só. Vejo milhões de pessoas que se recusam a aceitar máximas cínicas e pueris, de que “todos roubam”, “os tucanos também roubaram”, “corrupção sempre existiu no Brasil”. Vejo milhões de pessoas que reivindicam o direito de serem governadas com um mínimo de Decência, Verdade e Ética. Entre esses milhões de pessoas há, certamente, Bolsonaros, Malafaias e fascistas. Faz parte de uma sociedade plural e democrática. Democracia para mim é justamente as pessoas poderem se expressar livremente e se organizarem para defender seus projetos de sociedade. Eu não queria ter sido governada por Lula em um segundo mandato. Fiquei arrasada quando Dilma se elegeu, e tive vontade de desaparecer da face da Terra quando ela se reelegeu -- usando pesadamente a máquina estatal e gastando rios de dinheiro com um mago da Propaganda, que não fez outra coisa a não ser vender deslavadas mentiras para enganar e amedrontar os eleitores. No entanto, aturei todos esses governos porque fui voto vencido nas urnas.
Agora, estamos descobrindo que no caso do segundo mandato de Dilma o cenário é diferente. Avolumam-se provas de que um gigantesco esquema de corrupção operou nos governos petistas, desviando bilhões de reais dos cofres públicos. Sou contra o Impeachment (por entender que o PMDB é feito de bandidos ainda mais bandidos que o PT). Mas espero ansiosamente pela cassação do mandato dela pelo TSE. Na minha perspectiva, inclusive, Dilma já deveria perder o mandato por crime de estelionato eleitoral. Só que há evidências muito mais graves, de que sua campanha milionária foi financiada com o dinheiro público, roubado descaradamente, ao longo dos últimos 13 anos, pelo Partido que está no Poder. Nada vai mudar isso, Minha Querida. Os fatos não se dobram à nossa vontade, nem aos nossos ideais. Com toda a sinceridade, como eu gostaria que tudo não passasse de uma armação da elite! Como eu gostaria que fosse tudo mentira e invenção das forças conservadoras desse país! Seria tão mais fácil, tão menos doloroso. 
Até que FATOS me mostrem o contrário, só posso esperar que Dilma se despeça do Planalto. E que sejam convocadas novas eleições. Eleições cujo resultado é imprevisível, porque a rejeição aos tucanos é hoje quase tão grande quanto aquela aos petistas. Pode até ser que um Malafaia ou um Bolsonaro se elejam Presidente da República. Tudo é possível. Estamos numa Democracia. Se essa for a vontade da maioria, expressa nas urnas, não terei outro remédio a não ser me conformar e esperar mais quatro anos, embora me disponha a militar ferrenhamente para que um futuro tão tenebroso não se realize. Lutaria contra esses segmentos retrógrados com o mesmo ímpeto com que um dia, na minha juventude, lutei para que Lula chegasse à Presidência da República.
Mas, como tentei dizer à minha irmã, que evocou argumentos semelhantes aos seus, as manifestações de domingo não foram declarações A FAVOR de nenhum político ou em prol de um futuro governo. Foram declarações CONTRA o status quo (ironicamente). E Sérgio Moro não é um herói nacional. Ele está simplesmente encarnando a Esperança de um caminho distinto para o Brasil. Os políticos nos dizem que a corrupção é atávica. Sérgio Moro (como figura simbólica) nos diz que existe uma escolha. 
Onde você vê o perigo do fascismo, eu enxergo um GRITO DE LIBERDADE. O Brasil reivindica o direito de tentar trilhar o caminho da Decência, da Ética, da Verdade (do mesmo modo que fez quando derrubou Collor). O PT nos havia roubado esse sonho. Estamos descobrindo que podemos reconquistá-lo.
Você já deve ter até desistido da leitura dessa longuíssima resposta. Sinto muito. Nunca consegui ser uma pessoa concisa. Além disso, estando longe do Brasil nesse momento tão importante, escrever tem sido minha forma de estar presente. Tem sido o meu front na luta pela Democracia e pelo Brasil, que amo profundamente. Voltarei à terrinha em breve, e pretendo ser ainda mais ferrenha na defesa do país democrático, justo e ético, que eu desejo e MEREÇO ter. Mais uma vez, vá desculpando a eloquência. Acaba que seu comentário despertou em mim memórias e sentimentos profundos. Senti a necessidade de lhe responder de maneira completa, sincera e transparente. Se é que você teve a disposição de chegar até aqui, lhe peço que me perdoe se fui indelicada ou se feri sua suscetibilidade em algum momento. Tentei me expressar com o máximo de ternura possível, sem abrir mão da minha própria Verdade.
Um beijo carinhoso no seu coração,
Val

sexta-feira, 11 de março de 2016

13 de Março: O Grito da Esperança?


Aproxima-se o domingo. Um 13 de Março que tem tudo para entrar pra História.

Pergunto-me, no entanto, o que faremos desse dia? Será esse apenas mais um momento -- como outros que já aconteceram nos últimos dois anos -- de catarse coletiva, de liberação da indignação e da raiva que tomam boa parte de nós? 
Diante do clima de profunda animosidade que se observa em todas as instâncias da vida social brasileira, inclusive nos universos virtuais, temo que esse 13 de Março seja mais um dos vários episódios que vêm nos dividindo, nos separando, nos colocando uns contra os outros, tirando nossa serenidade, nosso equilíbrio e nossa capacidade de enxergar as coisas com clareza e reagir com inteligência e sabedoria.
No meu coração, alimento, contudo, um sonho. Imagino um 13 de Março que seja: 
· menos sobre o pessimismo e mais sobre a Esperança; 
· menos sobre a raiva e mais sobre nosso Amor pelo Brasil; 
· menos sobre a desilusão e mais sobre a Determinação de superar as dificuldades, não importa que tamanho elas tenham;
· menos sobre o que fomos nos últimos anos, e mais sobre o País que Desejamos Ser daqui pra frente.

O Brasil está dividido “como nunca antes na sua História”. O próprio PT vem disseminando, desde a campanha de reeleição de Lula, o clima de medo, de raiva e de divisão do País. Pior é que todos nós, em alguma medida, acabamos por comprar esse discurso da cizânia, que alimenta, de maneira perversa, a desesperança e o pessimismo hoje reinantes entre esse povo que sempre se reconheceu na Alegria (para o bem e para o mal). 

Nunca soube que a raiva construísse nada de bom. 
Os fatos da vida são simplesmente fatos. São os sentidos que atribuímos a eles que fazem com sejam bons ou ruins para nós. De maneira objetiva, qualquer tipo de acontecimento é uma Oportunidade para decidirmos e afirmarmos aquilo que desejamos Ser (e o que Não queremos Ser também). Hoje o Brasil está tendo de se olhar no espelho como jamais foi compelido a fazê-lo. Estamos sendo confrontados com nossa própria imagem como Nação com uma crueza inédita. Ninguém há de discordar de que não estamos contentes com o que estamos contemplando no espelho. Só que de pouco vai adiantar essa constatação, se cada um de nós continuar dizendo para si mesmo que não tem nada a ver com essa imagem degradada, seja porque nunca votou no PT, seja porque votou de boa fé, ou por qualquer outra justificativa engenhosa que a mente seja capaz de elaborar. Todos e cada um de nós tem tudo a ver com o que está acontecendo no Brasil neste exato momento. E vou dar um exemplo muito simples e óbvio. Em que momento da sua vida você se preocupou com o tipo de educação ofertada às crianças e jovens que moram na favela mais próxima à sua casa? Em que momento da sua vida você fez algum gesto concreto para que pessoas que vivem na pobreza e na ignorância tivessem acesso a um sistema educacional que as preparasse para pensar por si mesmas, criticamente, e para serem donas de seus destinos, em lugar de ficarem dependendo das benesses de algum generoso governante? Outro exemplo. Você já parou pra pensar como essa cultura da transgressão à norma – que está na origem tanto das pequenas desobediências aos códigos legais e sociais como nos grandes assaltos ao bem público – faz parte do seu dia-a-dia? Quantas vezes, na última semana, você parou o seu carro na faixa de rolagem, super rapidinho, para pegar o filho na escola ou comprar uma revista na banca, atrapalhando todo o trânsito atrás de você? Quantas vezes, no último ano, você pediu a um amigo para agilizar um procedimento num órgão público, ou para furar a fila do SUS, marcando uma consulta para a sua empregada? Talvez seja esse um bom momento para pararmos de nos enganar. Em maior ou menor medida, o Brasil que temos hoje é fruto das nossas escolhas cotidianas (omissão também é escolha). 
Da forma como olho para o Brasil hoje, vejo dois caminhos à nossa frente. Nós podemos passar a próxima década entregues ao ressentimento e ao pessimismo, maldizendo Lula, Dilma e o PT por todas as – inegavelmente imensas – perdas que nos infringiram, ou podemos enxergar nessa “herança maldita” uma dura, mas importante, lição, e, principalmente, uma Oportunidade singular para passarmos o Brasil a limpo. A Operação Lava-Jato, os promotores paranaenses, o Juiz Sérgio Moro estão nos mostrando que existe uma Escolha, SIM, que não estamos condenados a ser, eternamente, o país do Jeitinho, da Impunidade e do Privilégio para os amigos. A corrupção pode ter existido até mesmo desde a chegada de Cabral, mas não precisamos e não devemos continuar sendo tolerantes com ela. Os tucanos podem ter roubado muito, e os petistas mais ainda, porém, não devemos ser tolerantes nem com uns, nem com os outros (eis mais uma falácia que agride a Inteligência e a Ética).
Lula deve ser preso, sim. E eu só posso lamentar, com profunda tristeza no coração, que a realidade que ele construiu para si mesmo na última década seja tão incongruente com as imagens do líder que fez História na luta pela Liberdade, pela Democracia e pelos Direitos dos Trabalhadores. Logicamente, Lula não deve ser preso simplesmente porque estamos indignados, decepcionados e com raiva pelos bilhões desviados dos cofres públicos no seu governo, nem pelo desastre econômico gerado pela personagem farsesca que ele deixou no comando do país. Lula deve ser preso porque escolheu o caminho da ilegalidade e do crime contra o patrimônio público, preferindo enriquecer a família, os amigos e o Partido a honrar seu próprio passado e sua História de Lutas. Do mesmo modo, Dilma deve perder o cargo com que foi investida nas urnas porque fez uma campanha suja, com dinheiro roubado dos contribuintes, e também porque se elegeu com base em grandes mentiras, que começaram a ruir ainda antes mesmo do início de seu segundo mandato. Lula deve ser preso e Dilma deve deixar o Palácio do Planalto porque doravante nos recusamos a aceitar que a corrupção seja uma fatalidade no Brasil, porque no país que desejamos Ser todos os corruptos devem ser presos, não importa sua filiação partidária, e porque não queremos mais deixar que a Mentira nos governe, nem queremos abrir mão da Ética em favor da cínica lógica de que os Fins justificam os Meios.

É a Decência que pede a prisão de um e a destituição da outra. E é nosso compromisso com a Verdade, com a Justiça, com o Brasil-que-queremos-Ser que deve levar cada manifestante às ruas nesse 13 de Março.
Desejo muito que possamos assistir a uma gigantesca manifestação, não Contra Lula ou Dilma, mas A FAVOR do nosso Futuro como país. Que esse 13 de Março seja menos sobre o PT e mais sobre o BRASIL que queremos legar para as futuras gerações.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Quando a Vontade faz a diferença na vida do cidadão: um bom exemplo


 

Na sua vida, quantas vezes você já escutou gestores público recorrerem ao argumento da falta de recursos para justificar a desassistência aos cidadãos, que por força constitucional, têm DIREITO aos serviços essenciais, de Saúde, Educação e Segurança? Na Saúde Pública nem sei se já não estamos um tanto anestesiados com as notícias cotidianas sobre nossos compatriotas mais carentes, que impossibilitados de pagar pela saúde privada, padecem e morrem nas filas intermináveis de caóticos hospitais, isso quando conseguem chegar até um deles, depois de enfrentarem a via crucis que começa na busca por atendimento básico em precários postos de saúde (quando eles existem, e têm médicos trabalhando). Esse é um retrato bastante generalizado da situação atual do SUS, um sistema cuja concepção é irrefutavelmente bela e generosa, e que conta, sim com algumas ilhas de excelência. Quando os idealizadores do nossos Sistema Único, e universal, de Saúde o inscreveram na Constituição de 1988, não imaginaram que quase trinta anos depois, o SUS ainda não estaria plenamente regulamentado. Nem supuseram, decerto, a anomalia -- realidade prática e objetiva vivida hoje  -- que impõe aos estados e municípios as responsabilidades mais pesadas e custos incompatíveis com seus orçamentos,  enquanto a União vem lavando as mãos solenemente, limitando seus gastos com Saúde a meros 4% das receitas vinculadas do Orçamento (média anual). Só para que se tenha uma noção do que isso significa, há vários municípios no Brasil que chegam a gastar 30% das receitas vinculadas dos seus Orçamentos com Saúde, quando sua obrigatoriedade de investimento é de 15%. E isso para sustentar o precário cenário que se acaba de descrever. Do mesmo modo, até que se iniciasse a crise econômica e financeira que vem deixando estados e municípios sem capacidade de fazerem frente às suas despesas mínimas de manutenção, todos os estados da Federação investiam mais que os 12% obrigatórios. Já o governo federal seguia se fazendo de morto. Se, nos últimos anos, a União tivesse investido os 10% idealizados na concepção do SUS, seriam mais de 150 bilhões de reais por ano injetados no nosso sistema de saúde. Obviamente, não é que dinheiro só resolva tudo. Pode não resolver nada, sobretudo quando falta gestão, mas é fato que Saúde custa caro, seja ela pública ou privada. Aliás, com todas as justas críticas que se possa fazer à vinculação de despesas e receitas do Orçamento público, é alvissareira a notícia de que a União estará obrigada a investir mais em Saúde Pública nos próximos anos. Pois ao contrário da Educação, em que um bom professor é infinitamente mais importante que um tablet, na Saúde, a tecnologia e os insumos podem fazer a diferença entre a vida e a morte, a dor e o alívio. Faço esse extenso preâmbulo apenas para reconhecer que quem faz gestão de Saúde Pública neste país, realmente enfenta dificuldades reais e enormes. Falta dinheiro mesmo (pelo menos no âmbito de estados e municípios). E sobram necessidades. Mas é aí que conceitos como Prioridade, Compromisso e Seriedade fazem toda a diferença.
No dia dezoito do mês de dezembro passado, a capital do Rio Grande do Norte, inaugurou seu primeiro hospital público municipal. Na pindaíba generalizada em que andam os municípios brasileiros, que não estão conseguindo nem manter os postos de saúde funcionando em condicões básicas, o que explica esse fenômeno? Que prefeito maluco é esse que abre um serviço HOSPITALAR em conjuntura econômico-financeira tão adversa? E note-se bem que não me refiro ao custo de instalação do hospital, que embora seja elevado, é evento único, e sempre se consegue alguma verba extra para ajudar. Quem faz gestão pública de Saúde sabe que o drama vem depois, é o chamado custeio, ou seja, o dinheiro que vai sair todos os meses dos cofres públicos para pagar médicos, enfermeiros, faxineiros, seguranças, remédios, insumos de toda natureza, enfim. Essa foi, aliás, a grande pegadinha dos governos petistas para estados e municípios: cofres abertos para montar estruturas (como as UPA´s) e abrir serviços, mas e depois?
Bem, voltando a Natal, some-se à atual crise financeira nacional, um cenário de terra arrasada, herdado pelo prefeito Carlos Eduardo, há três anos. Sua antecessora havia deixado a cidade à mais completa míngua, sem coleta de lixo, sem merenda nas escolas, postos de saúde fechados, no maior colapso de gestão pública que eu já pude testemunhar, nesse país onde os absurdos da vida pública desafiam a imaginação. Pois foi enfrentando todas essas adversidades que Natal  ganhou, há pouco menos de um mês, seu primeiro hospital municipal. Palmas para Carlos Eduardo Alves, que fez da Saúde uma Prioridade de gestão, não apenas no discurso, mas na prática. Se não existe mágica em gestão pública, existe, sim, a escolha. A questão não é matemática, mas política. Quando os recursos são insuficientes -- e a verdade é que, hoje, eles são efetivamente insuficientes nos cofres da grande maioria de municípios brasileiros, face a todas as despesas de custeio, somadas a quedas expressivas de receita (que começaram no primeiro governo Dilma com as políticas de isenção fiscal para estímulo ao consumo) -- o gestor tem de fazer uma escolha, com base naquilo que considera ser prioritário. Não sei onde o prefeito Carlos Eduardo resolveu cortar, mas estou vendo que ele puxou o cobertor para uma área extremamente sensível, talvez a única em que o cidadão efetivamente não pode esperar. Em Medicina, segundos podem separar a vida da morte. Reconheço e parabenizo a coragem e a seriedade do prefeito de Natal.
No entanto, preciso deixar registrado que o mérito maior por esse feito compete a uma brilhante equipe de Servidores Públicos, que fazem gestão de Saúde com uma tenacidade, um compromisso, uma abnegação, um republicanismo e uma paixão que são exemplares, e, em se tratando do Brasil, quase inacreditáveis. Dou esse testemunho porque tive o privilégio de conviver e trabalhar com essas pessoas por alguns meses, quando eles estavam à frente da Secretaria de Saúde do governo do estado. Infelizmente, a realidade da saúde pública estadual era tão problemática e complexa, que o trabalho verdadeiramente saneador, e hercúleo, não se tornou visível para a Opinião Pública. O enfentamento do nefasto corporativismo dos médicos, a reorganização dos serviços, que antes funcionavam como a casa da mãe joana e sem qualquer racionalidade, a ginástica financeira e política feita cotidianamente para honrar os compromissos mais básicos da Secretaria e evitar a suspensão do atendimento aos usuários passaram quase batidos aos olhos da população, que a despeito de todo o empenho da equipe que geria a Secretaria, continuava a sofrer com a desassistência nos hospitais estaduais, amplamente insuficientes para fazer frente a demandas que lhes competiam, mas também às que correspondiam aos municípios e União.
Até a semana passada, Natal era das raras capitais do país a não terem um hospital municipal, e simplesmente despejava seus pacientes nas portas dos hospitais estaduais, cruzando os braços diante do sofrimento inaceitável de tantos de seus munícipes. Quando estavam à frente da secretaria estadual de saúde, Luiz Roberto Fonseca e sua equipe brigavam com o município de Natal, procurando chamá-lo às suas responsabilidades. O município se acomodava na desculpa clássica da falta de recursos. Era mais cômodo superlotar o sofrido Walfredo Gurgel. É muito importante que se compreenda que sempre que um município não faz sua parte no desenho do SUS, o preço é pago pelos usuários, principalmente aqueles carentes da atenção à saúde mais especializada, que têm de disputar leitos, médicos e medicamentos com os pacientes que apresentam problemas de menor complexidade, num jogo de perde-perde para a população. Uma vez que assumiu a secretaria municipal de saúde, Luiz Roberto determinou-se a fazer aquilo que já devia ter sido feito há décadas, abrir um hospital para atender às demandas de responsabilidade do município de Natal. Nada mais coerente. E, no entanto, nada mais desafiador, nem mais corajoso. O processo passou, inclusive, pelo convencimento do prefeito e dos secretários das pastas administrativas quanto à sustentabilidade da proposta, nesse já tantas vezes mencionado cenário econômico-financeiro extremamente adverso.
Esse hospital vai resolver os problemas da Saúde Pública em Natal? Claro que não. Longe disso. Se em São Paulo, estado mais rico da Federação, os cortes na Saúde Pública já estão sendo diretamente sentidos pelos usuários do SUS, com a suspensão, por exemplo, de programas de entrega de medicamentos crônicos, imagine-se no nosso Nordeste. O recém inaugurado hospital de Natal é uma gota no imenso oceano de necessidades da Saúde Pública potiguar. Porém, é uma gota de valor inestimável. Não apenas porque efetivamente salvará vidas, desafogará um pouco os corredores dos grandes hospitais estaduais e minorará as dores de quem antes ficava inteiramente entregue ao desamparo. É inestimável pelo que representa como ato e exemplo de gestão pública da Saúde. A inauguração desse hospital representa a vitória da Sim sobre o Não, da Tenacidade sobre a burocracia, do Compromisso sobre a leniência, da Prioridade sobre a Demagogia, da Solidariedade sobre o comodismo, da Paixão sobre o automatismo, do espírito de Serviço sobre o egoísmo (tão humano).

Na época em que eu convivi com a equipe que hoje está no comando da Secretaria de Saúde de Natal, a dedicação desses servidores ao Interesse Público não despertava apenas a minha admiração, ela me comovia. Com eles aprendi o significado pleno e radical da expressão Servidor Público. Fui testemunha do alto nível de sacrifício pessoal a que se submetiam no esforço para melhorar a atenção à saúde da população. É uma bela equipe, cada um mais valoroso que o outro, e no comando de todos eles, um verdadeiro líder, um gestor público como até hoje não conheci igual. Não o vi titubear sequer por um segundo na defesa do interesse coletivo, mesmo quando isso significava cortar fundo na própria carne. Foi um Leão no enfrentamento do corporativismo dos seus pares, pagando o preço altíssimo da animosidade entre os seus. Como pude constatar de perto, o secretário Luiz Roberto só esmorecia quando se sentia impotente diante do sofrimento dos menores dos seus irmãos, dependentes de um Sistema de Saúde profundamente combalido, por décadas de má gestão, de omissão e de promiscuidade, em todos os níveis e por diveros atores, e pelo caixa de um estado quebrado. Sabe quando dá gosto ver a Administração Pública funcionando? E funcionando pelo e para o cidadão? Não?! Infelizmente, no nosso Brasil, é raro mesmo. Pois asseguro que o novo hospital de Natal é resultado disso. Meu sonho, preciso confessar, é ver Luiz Roberto e equipe no Ministério da Saúde. Não que ele seja o Superhomem e fosse resolver todos os graves problemas do SUS, mas tenho certeza de que com a enorme capacidade de trabalho de sua equipe, e com a liderança inspiradora, firme e republicana que ele exerce, os milhões de brasileiros que dependem da Saúde Pública estariam melhor amparados. Parabéns, Luiz Roberto! Parabéns Saudade, Marcelo, Teresinha, Manoella, Larissa, Otávio, Catharina, Camila, Renata, Juliana..... E parabéns ao prefeito Carlos Eduardo, que deu abrigo e cabimento a esse valente Exército de Brancaleão.